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Importação paralela

Tem um produto que chega do exterior, vai parar no Mercado Livre e custa bem menos do que o seu. A embalagem é igual, a marca é a mesma. Mas quem vendeu não tem nada a ver com você. Isso tem nome.

Importação paralela é a entrada de um produto original – fabricado com autorização, com a marca correta – em um mercado por um canal que o titular da marca não autorizou. O produto não é réplica nem falsificação: é genuíno. A questão é quem o trouxe e por qual caminho. Para quem vende no Mercado Livre, a diferença entre importação paralela e contrafação define que tipo de ação você pode tomar.

Por que isso importa para quem vende no Mercado Livre

Você vê seu produto copiado no Mercado Livre, mais barato, e não sabe por onde começar a frear isso. A primeira pergunta é exatamente esta: o que está sendo vendido é uma réplica ou um produto original que entrou pelo canal errado?

A resposta muda tudo. Se for contrafação – produto falso com sua marca –, o Programa de Proteção à Propriedade Intelectual (PPPI) do Mercado Livre é a via direta. Você denuncia, o anúncio é pausado imediatamente, e o vendedor tem quatro dias corridos para responder com documentação.

Se for importação paralela, o caminho é diferente. O PPPI não serve para controlar canais de distribuição nem para controlar preços. Um produto original vendido fora da rede autorizada pode ser um problema comercial e, dependendo da lei local e de como sua marca está registrada, pode ou não ser um problema legal. Confundir os dois tipos de situação leva a denúncias que não prosperam – e denunciar sem fundamento tem custo: o Mercado Livre pode sancionar o membro que abusa do programa.

O efeito prático é simples. Quando um produto paralelo aparece no Mercado Livre por um preço menor, ele pressiona sua margem e pode confundir o comprador sobre qual é o canal oficial. Isso não é imaginação: o glossário da Academia CazaFalsos reúne os termos que aparecem nesse tipo de situação e ajudam a nomear o que você está vendo antes de agir.

Exemplo concreto

Um fabricante de cosméticos registra sua marca no INPI Brasil e vende apenas para distribuidores autorizados em São Paulo e no Rio. Um importador compra o mesmo produto no Paraguai – produto legítimo, fabricado pela mesma fábrica – e revende no Mercado Livre sem acordo com o fabricante. O produto não é falsificado. A marca é verdadeira. Mas o canal não foi autorizado.

Esse é um exemplo ilustrativo, não um caso real. A situação, porém, é comum o suficiente para aparecer com frequência nas pesquisas de marca que o time da CazaFalsos analisa em publicações no Mercado Livre.

A diferença visual entre esse anúncio e um de contrafação pode ser quase nenhuma. O que muda está nos detalhes: lote de produção, origem declarada pelo vendedor, preço em relação ao custo de importação oficial. Identificar esses sinais é o que separa uma denúncia que prospera de uma que não vai a lugar nenhum.

Termos relacionados

Entender importação paralela fica mais fácil quando se conhece os conceitos ao redor:

Se você encontrou um anúncio no Mercado Livre usando sua marca e não sabe se é contrafação ou produto paralelo, o primeiro passo é escanear e guardar a evidência. Instale o CazaFalsos e faça o primeiro escaneamento sem pagar nada – o plano Gratis não pede cartão e já gera a captura com hash SHA-256 e selo de tempo.

Por Iván Cortés ·