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É perigoso comprar perfumes falsificados?

Você encontrou uma réplica do seu perfume no Mercado Livre por metade do preço, com as suas próprias fotos. A primeira pergunta que vem à cabeça não é jurídica – é bem mais imediata: esse produto faz mal a quem compra?

Sim, perfumes falsificados podem ser perigosos para a saúde. Réplicas e produtos de primeira linha não passam pelos testes toxicológicos exigidos pela Anvisa, e os ingredientes usados variam sem controle: álcool industrial, corantes não aprovados e substâncias alergênicas já foram encontrados em análises de perfumes falsificados no Brasil. Para a sua marca, o risco vai além da saúde do consumidor – quem compra o falso associa a experiência ruim ao seu nome.

Abaixo estão os detalhes que importam: o que pode estar dentro de um frasco falso, o erro que a maioria dos titulares comete ao descobrir o problema e o que você pode fazer a partir de hoje.

O que pode estar dentro de um perfume falso

Um frasco de réplica chega com embalagem quase idêntica à original. Troquel, cor, tipografia – tudo copiado com cuidado. O conteúdo é outra história.

Sem acesso às fórmulas licenciadas, o falsificador substitui ingredientes por alternativas baratas. O álcool etílico cosmético – regulamentado e testado – pode dar lugar a álcool industrial ou metanol. Fixadores de fragrância de alta qualidade são trocados por compostos sintéticos genéricos, sem ficha de segurança. Corantes não aprovados para uso dérmico aparecem para reproduzir a cor característica do líquido original.

O resultado pode ser uma simples decepção: o cheiro some em meia hora. Mas pode ser algo mais sério. Reações alérgicas, irritação cutânea e, em casos extremos, intoxicação por contato ou inalação já foram reportadas em contextos de uso de cosméticos falsificados. A Anvisa regula a composição, os testes e a rotulagem de perfumes vendidos no Brasil – um falsificador não segue nenhum desses requisitos.

Para a sua marca, o efeito é direto: o consumidor que comprou a réplica e teve uma reação ruim vai associar a experiência ao seu produto. Ele não vai saber que era um falso. Você vai receber uma avaliação negativa pelo trabalho de outro.

O erro mais comum de quem descobre a réplica no Mercado Livre

A maioria dos titulares de marca que vê uma réplica no Mercado Livre faz a mesma coisa: salva o link no favoritos e pensa em resolver depois. Dias depois, o anúncio continua lá. Semanas depois, tem mais vendas.

O problema de esperar é que a evidência some. Anúncios são alterados ou encerrados pelo próprio vendedor quando ele percebe que está sendo observado. Sem URL, sem captura com data e sem o ID do vendedor, a denúncia não tem base documental suficiente – e o Programa de Proteção à Propriedade Intelectual do Mercado Livre (PPPI) vai devolver a solicitação.

O segundo erro é achar que só vale denunciar se a marca estiver registrada no INPI. Isso é um mito – e o próximo bloco explica por quê.

Dois mitos que travam quem poderia agir hoje

«Sem marca registrada não posso fazer nada.» Isso não é completamente verdade. O PPPI do Mercado Livre exige que você comprove a titularidade do direito que está sendo infringido – mas direitos de autor sobre imagens e textos, por exemplo, não dependem de registro prévio. Se o anúncio usa as suas fotos originais sem autorização, você já tem uma base para agir, mesmo sem o registro de marca em mãos. Para denunciar infração de marca especificamente, sim, o registro no INPI é necessário para aquela categoria de produto naquele país.

«Denunciar não adianta porque eles republicam.» Republication existe – é real e é chato. Mas o PPPI permite que a mesma publicação ou uma republicação seja denunciada novamente, pelo mesmo titular ou por outro membro do programa. Um vendedor com denúncias repetidas acumula restrições na conta, e o Mercado Livre pode suspendê-lo ou desabilitá-lo de vender. Denunciar uma vez não resolve tudo, mas cada denúncia fundamentada contribui para o histórico do infrator.

Além disso, o Mercado Livre removeu, no primeiro semestre de 2025, mais de 3,7 milhões de publicações por detecção proativa – o que representou 89 % do total removido por violações de propriedade intelectual. O restante depende de quem denuncia. Se você não age, esse 11 % fica descoberto.

Se você quer começar a monitorar os anúncios que copiam a sua marca no Mercado Livre, o CazaFalsos escaneia, captura evidência com hash SHA-256 e prepara a denúncia pelo PPPI. O plano Gratis não pede cartão – instale a extensão e veja o que aparece com o nome da sua marca.

Perguntas frequentes

O que preciso para começar hoje?

Para denunciar no PPPI do Mercado Livre, você precisa de duas coisas básicas: documentação que comprove a titularidade do direito infringido (certificado de registro de marca no INPI, para infração de marca; ou arquivos originais com metadados, para direito de autor sobre imagens) e evidência da publicação infratora – URL completa, captura de tela com data visível e o ID do vendedor. Se ainda não tem o registro de marca no INPI, um advogado aliado pode orientar sobre as rotas disponíveis enquanto o processo corre. Para dar o primeiro passo no monitoramento, o plano Gratis do CazaFalsos permite escanear uma marca com até cinquenta escaneos, sem cadastro de cartão.

Quanto tempo isso vai levar?

Quando a denúncia é apresentada, o anúncio é pausado imediatamente. O vendedor tem quatro dias corridos para responder com documentação. Depois disso, você decide: retira a denúncia ou mantém o pedido de remoção. O tempo total do ciclo de uma denúncia individual, portanto, é curto – dias, não semanas. O que leva tempo é o monitoramento contínuo, porque novos anúncios surgem. Uma denúncia bem documentada tende a prosperar; uma mal documentada pode ser devolvida e precisa ser refeita.

O que acontece se eu não fizer nada?

O anúncio permanece ativo, acumula vendas e reviews. Consumidores que compraram a réplica – e que podem ter tido uma experiência ruim com o produto falso – associam isso à sua marca. O vendedor não enfrenta consequências relacionadas à infração. A detecção proativa do Mercado Livre pode eventualmente capturar o anúncio, mas não é garantido nem depende de você. O que é certo é que o programa de proteção só funciona quando o titular aciona: perfumes estão entre as categorias mais falsificadas no Mercado Livre, e a inação nesse segmento tem custo real para a reputação da marca.

Se a situação que você está vendo vai além de um anúncio isolado – vários vendedores, volume grande, réplicas com embalagem sofisticada – pode fazer sentido escalar para um acompanhamento jurídico. Um advogado aliado no Brasil pode avaliar o caso e conduzir o processo. Outros produtos da Classe 3 também concentram atenção dos falsificadores – o padrão de operação é parecido.

Se prefere que alguém cuide disso por você, escreva para o time do CazaFalsos e conectamos você com um advogado aliado no Brasil. Você descreve a situação, ele avalia e indica os passos. Sem compromisso inicial: veja como funciona o serviço de remoção expressa de anúncios.

Por Camila Serrano ·